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Minimalismo, jovens offline e os Métodos Ágeis

Vaso de plantas minimalista

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Por anos adotei uma prática que, pra mim, não tinha ou não exigia nenhuma definição: todas as vezes que eu comprava uma peça de roupa, eu doava uma equivalente (por exemplo: se eu comprava uma calça jeans, eu doava uma calça para alguma instituição ou pessoa). Apesar de ser um amante e colecionador de livros e vinis, eu acredito que levo um tipo de vida simples.

No último ano eu aprendi sobre os pequenos detalhes com a minha mulher: quando a gente sai, parte de seu ritual é tirar da bolsa um copo e um canudo, para evitar o uso de descartáveis. Outra coisa que ela sempre faz é se certificar que tudo esteja na mais perfeita ordem antes de trabalhar naqueles textos, matérias, reportagens e conteúdos inspiradores que ela tão bem sabe fazer. Aprendi com ela quem é Marie Kondo, André Carvalhal e mais sobre o minimalismo, tema dessa conversa. Vem comigo?

ROHIT BHARGAVA E AS TENDÊNCIAS NÃO ÓBVIAS

No livro “Non-obvious: how to predict trends and win the future” do guru da inovação Rohit Bhargava, o minimalismo é citado como umas das principais tendências para o ano de 2019.
Talvez isso possa explicar o sucesso de pessoas como Marie Kondo, autora dos livros “A mágica da arrumação” e “Isso me traz alegria” e apresentadora do programa Ordem na casa, do autor e palestrante Colin Wright e, de projetos como The Minimalists. Uma outra motivação pode ser a fadiga causada pelo excesso de informação e pelo mundo em espiral infinito que todos nós estamos vivendo. Os jovens, por exemplo, estão fartos de redes sociais.

JOVENS OFFLINE? COMO ASSIM?

Em uma compilação de pesquisas publicadas por empresas como Brandwatch, Campaign US, Fast Company, KOMO News, Origin, RSPH e SELF sobre os hábitos de consumo digital dos jovens, a Infobase apresentou alguns dados significativos: segundo os estudos, 64% dos jovens estão dando um tempo das redes sociais. Entre os motivos estão a negatividade dos temas nas redes sociais (35% dos entrevistados), a diminuição na concentração (72%) e sentimentos como ansiedade, tristeza e depressão causadas pelo uso das redes sociais (para 68% dos jovens).

COLIN WRIGHT E SUAS 51 COISAS

Foto de Colin Wright e suas 51 coisas

Colin-Wright-51-coisas

Colin Wright saltou fora. Viaja o mundo com duas mochilas que dividem toda sua bagagem. Nessa foto, tirada alguns anos atrás, essas eram as peças que ele tinha. Desde 2009 na estrada, mudando de país em média a cada 4 meses, Colin criou o blog Exile Lifestyle para contar suas experiências sobre o modo de vida minimalista. Autor de diversos livros, entre eles, My Exile Lifestyle e How to travel full-time, palestrante, cofundador da editora Asymmetrical Press, largou uma promissora carreira de designer gráfico para rodar o mundo à sua maneira.

THE MINIMALISTS

Formado por dois caras que estavam de saco cheio do mundo corporativo, Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, o The Minimalists foi criado em 2009, mas só dois anos depois, com o lançamento do livro Minimalism: Live a Meaningful Life que o projeto decolou. O livro foi sucedido por outros dois:Everything That Remains, de 2014 e Essential: Essays by The Minimalists, lançado em 2015. Os dois, que estavam prestes a completar 30 anos quando abandonaram o barco das multinacionais, palestraram para peso-pesados como Harvard Business School, Apple, Google e SXSW. Entre os seus feitos estão a construção de dois orfanatos, instalação de poços de água limpa em três países e construção de uma escola primária no Laos. Em 2016, a dupla lançou o documentário: Minimalism: a documentary about the important things. Assista o trailer:

TUDO MUITO BONITO, MAS, COMO APLICAR ISSO NO TRABALHO?

Ok, não estou sugerindo que você chute tudo para o alto e siga os exemplos citados acima, mas podemos aprender com eles e com algumas iniciativas adotadas por empresas e por métodos de trabalho mais eficazes para colocar em prática alguns dos princípios minimalistas.

ALGUÉM DISSE APPLE?

Cartão de crédito da Apple

cartao-de-credito-apple

Minimalista mesmo é o cartão de crédito lançado pela Apple — em parceria com o banco de investimentos Goldman Sachs — no dia 25 de março, um produto sem anuidade e com cashback. A versão física do cartão, feito em titanium e escrito à laser, possui apenas o nome do usuário e a logo da marca. Nada mais objetivo e, mesmo assim, com um apelo estético que enche os olhos. Aliás, produtos com design superior sempre foram as obsessões do fundador da Apple, Steve Jobs.

A FRASE QUE MUDOU TUDO

O mais respeitado veículo de comunicação para publicitários do país, Meio & Mensagem, também entrou no baile para tentar descobrir porque o minimalismo volta à tona depois de ter vivido o seu boom no século XX, muito por conta do que acreditava o arquiteto Ludwig Mies van der Rohe, autor da célebre frase “menos é mais”. Assista o vídeo Minimalismo: simplificação além da estética.

 

MÉTODOS ÁGEIS E O MINIMALISMO

Se um dos princípios do minimalismo é evitar o desperdício, podemos incluir os métodos ágeis como um dos componentes desse mindset. Entre suas definições, os métodos são conhecidos por ciclos iterativos e incrementais, flexibilidade e adaptabilidade com foco na melhoria contínua de processos e equipes.

O MANIFESTO COMO EXEMPLO

O próprio Manifesto Ágil, criado no ano de 2001 por 17 pessoas que não acreditavam no modelo tradicional de gestão de projetos, é um exemplo de minimalismo. Com apenas 4 linhas de texto, o Manifesto prega:

JEFF SUTHERLAND, UM MINIMALISTA

Um entre os 17 criadores do Manifesto Ágil e também do Método Scrum, Sutherland costuma dizer que: “desperdício é qualquer coisa que distraia você. Se começar a pensar no trabalho em termos de disciplina e de fluxo, é possível que você realize algo incrível”.

MULTITAREFA

No seu livro “SCRUM: A arte de fazer o dobro do trabalho na metade do tempo”, Sutherland usa uma pesquisa realizada pela Universidade de Utah para colocar o dedo na ferida de pessoas que se autodenominam multitarefa:
“As pessoas não realizam várias tarefas ao mesmo tempo porque são boas nisso. Elas o fazem porque são distraídas. Têm dificuldade de inibir o impulso de se dedicar a outra atividade”. David Sanbonmatsu, autor do estudo.

OS NÚMEROS DE GERALD WEINBERG

Essa frase, aliás, pode ser validada com a pesquisa realizada por Gerald Weinberg, autor de Software com qualidade, que trata do desperdício que é tocar vários projetos ao mesmo tempo. O autor criou uma tabela com três colunas (classificadas como número de projetos, porcentagem de tempo disponível para cada projeto e perda causada pela mudança de contexto). Os dados dão conta que quanto mais projetos executados em um mesmo período, maior a perda de tempo e, consequentemente, de produtividade. Listei apenas as três primeiras análises apresentadas no livro. Dá uma olhada:

NA TEORIA É UMA COISA, NA PRÁTICA…

A dúvida que fica é: tá bom, vai, é fácil falar, mas o que eu faço com todos esses projetos que eu tenho para entregar? O SCRUM, ao contrário do que se pode imaginar, não é um método que aprisiona. O que está por trás de sua essência, na verdade, é o estabelecimento de prioridades e a clareza nos processos. O SCRUM parte do princípio que você deve definir as prioridades: por exemplo, inicie com o projeto 1 até sua finalização e depois passe para o projeto 2. Difícil, não é mesmo? Eu sei, mas, não custa tentar.

UM MANTRA PARA O MINIMALISMO

Fecho com uma frase que finaliza o documentário Minimalism e que pode ser usada, facilmente, como um mantra:
“Ame as pessoas e use as coisas, porque o oposto nunca dá certo”. Joshua Fields Millburn, um dos fundadores do projeto The Minimalists.

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