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Lideranças globais em tempos de crise, confiança e criação de ambientes favoráveis

Lideranças globais em tempos de crise, confiança e criação de ambientes favoráveis

Renato "Minas" Buiati

Renato "Minas" Buiati

Resumo do artigo:
– Yuval Noah Harari e Bill Gates pedem que líderes desempenhem seu papel e tomem as rédeas nesse momento de crise.
– A necessidade de criar ambientes favoráveis para que as pessoas possam desempenhar seus papéis.
– A necessidade de cultivar a confiança entre as pessoas.
– A liderança em tempos de crise requer o empoderamento das pessoas.

Líderes globais e liderança em tempos de crise
O mundo carece de liderança. Esse é o tema de um artigo escrito por Yuval Noah Harari para a revista Time e que foi transformado em Ebook (que você pode baixar gratuitamente aqui). O título não deixa dúvidas sobre a impressão do historiador israelense: Na batalha contra o coronavírus, faltam líderes à humanidade.

Yuval fala sobre o poder de decisão e liderança que os EUA exerceram no passado e que agora, seu governo adotou a postura de “lavar as mãos” ou de virar as costas para o mundo e do impacto que essa postura pode ter no combate ao coronavírus, informando que a história indica que “a proteção real vem quando compartilhamos informação científica confiável e solidariedade global”, completando que para que saia dessa, devemos cuidar de todas as pessoas, em todos os países e não apenas de nossos próprios interesses.

Bill Gates tem sido um sido um dos líderes mais ativos nesse momento e endossa Yuval Noah Harari, com respostas para o combate ao coronavírus e sem poupar críticas ao governo dos EUA: “Não há dúvida que os Estados Unidos perderam a oportunidade de se antecipar ao novo coronavírus. Mas a janela para tomar decisões importantes não foi fechada.”, Bill Gates, em seu artigo para o Washington Post.

(Jeff Pachoud/AFP via Getty Images)

Sobre as propostas para o combate ao coronavírus, Bill Gates destaca três pontos que considera essenciais: shutdown, a intensificação dos testes e a participação ativa do governo na produção de vacinas.

Shutdown
O primeiro ponto trata das políticas de isolamento, com uma abordagem mais consistente para o shutdown, que não permita o afrouxamento e que todos sigam as recomendações de especialistas em saúde pública.

Intensificação de testes para diagnosticar o COVID-19
Bill Gates cita a cidade de nova York como exemplo, que expandiu sua capacidade para 20 mil testes diários.

Ciência e dados
Bill Gates afirma que é necessário investir em abordagens que seja baseada em dados para o desenvolvimento de tratamentos e vacinas para o vírus.

Fundação Bill & Melinda Gates
Em tempo: a Fundação Bill & Melinda Gates anunciou, em parceria com a Mastercard, um aporte de US$ 125 milhões em um fundo para financiar testes e pesquisas científicas para combater o coronavírus.

Liderança: criando o ambiente favorável para as pessoas
O antídoto para uma epidemia não é segregação e sim cooperação”. Yuval Noah Harari.

Em seu best-seller, Comece pelo porquê, Simon Sinek fala sobre as necessidades de cuidados com as pessoas para a criação de ambientes favoráveis e a criação de culturas saudáveis e orgânicas. Para Sinek, essas culturas são formadas por grupos de pessoas que se reúnem em torno de um conjunto comum de valores e crenças.

Assim como o momento que vivemos é de solidariedade e união em busca de soluções, é necessário que habilidades como a empatia tomem seu lugar de destaque para que o mundo possa passar por esse momento, como o próprio autor cita: “Se as pessoas não cuidam do que é comum a todos, os benefícios da comunidade são corroídos”.

A afirmação encaixa perfeitamente no momento que estamos passando, mas também nos microuniversos das empresas e organizações, onde o ambiente se torna favorável quando as pessoas vão trabalhar sabendo que gestores, colegas e organização cuidarão de cada um deles.

Para Ben Horowitz, autor do livro “O lado difícil das situações difíceis”, um dos maiores erros sobre liderança é que pessoas que exercem esse papel precisam ser egoístas, impiedosos e insensíveis, como temos visto no comportamento de lideranças políticas em partes do mundo. A verdade, segundo Horowitz, é o contrário. As pessoas querem ser lideradas, querem ser conduzidas por esse vale por quem se preocupa com elas de verdade. Pensar nos interesses e nas necessidades das pessoas é algo que atrai seguidores e que pode mudar os rumos da história de empresas e países.

Portanto, o que mais importa no momento não são as grandes lideranças dando suas ideias, mas cooperando entre si para a criação desses ambientes favoráveis e de soluções para o mundo atravessar esse período.

Liderança e a importância da confiança
No seu ebook, Yuval destaca que a crise atual não é causada apenas pelo coronavírus, mas também pela falta de confiança entre os humanos. O autor garante que, para derrotar uma epidemia de proporções exponenciais como essas, é necessário, antes, que as pessoas confiem nos nos cientistas especialistas, nas autoridades e que os países precisam confiar uns nos outros. Para ele, um dos responsáveis por essa crise de confiança são as lideranças políticas que adotam medidas irresponsáveis, minando a confiança das ciências, outras autoridades públicas e nos princípios da cooperação internacional. Para Yuval, não há, no momento, líderes globais que possam inspirar, organizar e financiar uma resposta global coordenada.

Yuval diz que ninguém pleiteou o papel de líder nesse momento tão crítico (papel que, segundo ele, era desempenhado pelos EUA em momentos passados). Mas como mudar esse sentimento de desamparo que as pessoas têm em relação às suas lideranças? Bill Gates afirma que ainda há tempo para que as grandes decisões possam ser tomadas, enquanto Yuval argumenta que xenofobia, isolacionismo e desconfiança não irão ajudar em absolutamente nada. Para ele, portanto, a atual epidemia pode ajudar as pessoas a entender o grave perigo causado pela desunião global.

Como resgatar a confiança
Simon Sinek entende que a confiança começa a surgir quando temos a sensação de que a outra pessoa ou organização é movida por outras coisas que não o seu próprio ganho e que os líderes conseguem alimentar esse sentimento nas pessoas quando elas confiam que suas decisões são tomadas em prol do melhor e mais fundamental interesse do grupo. A contrapartida é que, aqueles que confiam irão trabalhar duro porque sentem como se estivessem trabalhando por algo maior que eles mesmos.

Modelos de liderança para serem seguidos
Em matéria escrita para o Huffington Post, a dupla que constitui os Corporate Rebels, Joost e Pim, falam sobre os novos papéis da liderança nas empresas e creio que eles se encaixam perfeitamente no momento que estamos vivendo:

1. Humildade e desapego
abrir mão da ideia de liderança centrada em você mesmo e no cargo ocupado e aprender a delegar, estar mais perto das pessoas e, principalmente, ouvir mais do que falar.

Aqui, vou usar outro trecho do livro de Sinek, que diz que ganhar a confiança das pessoas não passa por tentar impressionar todo mundo, passa por se dispor a servir aqueles servem você. É essa confiança invisível que dá a um líder os seguidores de que precisa para que as coisas sejam feitas.

2. Autonomia
Se não confiamos nas ciências e nas pessoas que estão no front nesse momento, como iremos nos safar? É necessário dar autonomia às pessoas para que tomem suas decisões e que trabalhem para o benefício de todos. Claro que o reflexo da autonomia é o aumento das responsabilidades dessas pessoas que estão na linha de frente no campo de batalha.

Liderança e o empoderamento das pessoas em tempos de crise
Em recente matéria publicada no periódico Inc., Marcel Schwantes, fundador e CEO da Leadership from the Core, listou algumas lições de liderança que ele reconheceu em Bill Gates e outros líderes que estão fazendo a diferença nesse momento:

1. Coloque as pessoas que estão com você em primeiro lugar.
Responder ao desafios e necessidades do momento, desenvolver a empatia, cuidar da saúde mental das pessoas e de seus familiares, porque esse é um momento de grandes pressões e incertezas.

2. Incentive a diversão e a flexibilidade.
Marcel cita o exemplo de Saar Yoskovitz, CEO da Augury, uma empresa de soluções de saúde em IA que mantém seu pessoal conectado, através de happy hours digitais com sua equipe. Saar compartilhou por e-mail, esse trecho: “Muitos de nossos funcionários estão trabalhando em casa enquanto cuidam dos filhos — por isso, garantimos que eles tenham mais flexibilidade, compreensão e distrações divertidas”

3. Invista em soluções digitais.
Pesquisa da PwC garante que o investimento em infraestrutura digital nos negócios, aumenta a satisfação das equipes de trabalho. Para David Clarke, diretor global de experiência global da PwC, em vez de reduzir investimento em ações como esta, as empresas deveriam concentrar seus investimentos em recursos digitais.

4. Procure respostas para o seu funcionário.
Marcel destaca a importância da liderança na solução de problemas e respostas para as equipes e que identificar essas respostas nas próprias pessoas pode ser uma forma de solucionar muitos dos problemas que estão sendo enfrentados pelas empresas nesse momento. Para ele, as soluções podem estar em simples mensagens que são trocadas em ferramentas como o Slack ou nos encontros feitos pelo Zoom.

Encerro com um trecho do artigo de Yuval:
“Nesse momento de crise, o combate crucial está sendo travado dentro da própria humanidade. Se essa epidemia aumentar a desunião e a desconfiança entre humanos, será a maior vitória do vírus. Quando humanos brigam — vírus dobram. Se, por outro lado, a epidemia resultar em maior cooperação global, será uma vitória não apenas contra o coronavírus, mas contra todos os futuros patógenos”. Eu acredito que podemos vencer, e você?

#CuidePrimeiroDasPessoas

Renato “Minas” Buiatti é educador e cofounder da How.

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