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Não estamos aqui pela semana que vem ou pelo próximo trimestre


Photo by Adam Jang on Unsplash

OBS: Artigo criado por Léo Jianoti (CEO na CWB Capital & Investidor-Anjo na Curitiba Angels), originalmente publicado aqui.

2020, a gente nem se conhecia direito mas eu já te curtia pacas. 2019 tinha sido um misto de estranheza na geopolítica (inter)nacional e prosperidade para o capital de risco. Os investimentos em empresas de tecnologia, com modelos de negócios escaláveis, dobraram novamente perante o ano anterior (2018). E isso vinha acontecendo desde 2016, dobrando ano a ano. Ritmo, força e transpiração.

Terminamos 2019 com USD 4.6 bilhões de investimentos em startups na América Latina. O Brasil seguiu na liderança com 50% dos negócios, seguido por México, Chile e Colômbia. Alguns números seguiram animadores, como o volume de co-investimento que seguiu alto (87% em 2018 e 90% em 2019, desconsiderando a transação de USD 1 bilhão feito somente pelo Softbank na Rappi em Janeiro/19). Dediquei um episódio do podcast Investindo em Startups para detalhar essas estatísticas.

Tudo parecia convergir para um ano glorioso para o venture capital em 2020, até que um abençoado resolveu colocar a colher na sopa errada. Um vírus incubado em animais selvagens veio para roubar a cena global e rapidamente, para não dizer assustadoramente, se espalhou pelo mundo todo. Estava instalada a maior crise sanitária desde a gripe espanhola de 1918. A pandemia jogou um balde de água fria sobre os planos de crescimento e expansão, e por algumas semanas, todos estavam paralisados pelo volume de incertezas do que iria acontecer pelo planeta.

As medidas de isolamento social forçaram a parada brusca das economias. O consumo despencou e um cenário de incerteza se instalou rapidamente. A analogia que usei com minha equipe foi de uma neblina que chegou de repente. A falta de visibilidade nos forçou a diminuir o ritmo e o impacto nas vendas ligou as luzes de emergência.

O que seria um ano de crescimento e expansão nos investimentos se tornou rapidamente uma busca emergencial pela sobrevivência de nossas investidas. Ligamos, como dizem, o survival mode. Repetimos por semanas com os líderes dos negócios um mantra de “proteja as pessoas, cuide do caixa e replaneje os caminhos. Nos falamos amanhã”. No meio de toda incerteza, era preciso respirar fundo e redobrar a atenção.

Mas não podíamos esquecer que nosso jogo é de LONGO PRAZO. Não estamos aqui pela semana que vem ou pelo próximo trimestre. Nosso foco em capital de risco é criar ciclos virtuosos de geração de riqueza e impacto, que duram pelo menos 4–5 anos. Ou seja, a neblina vai passar e não podemos esquecer para onde estávamos indo e principalmente PORQUE estávamos indo.

É claro que o apetite de investidores mudou muito, obviamente. Quem disser o contrário está sendo leviano. E reparem que o apetite MUDOU, não DIMINUIU. Coisas que eram importantes como times ágeis, complementares e capazes de entregas desafiadoras, se tornaram cruciais para atravessar a crise. Sem um bom time nem venda de água no deserto vai dar certo. Assim como, sem a devida estratégia econômica, não é possível construir negócios escaláveis e viáveis — acreditem esse último ponto foi negligenciado várias vezes por alguns investidores e quem falava o contrário era dom-quixoteado.

Se nosso jogo é de longo prazo e baseado em fundamentos, temos a visão de crise como oportunidade. Perdoem o clichê, mas é inevitável. E iria mais longe, toda crise acaba um dia, traz lições para toda vida e nos brinda com inúmeras oportunidades. Importante nos cuidarmos ao máximo e dos próximos. Ficar em casa sempre que possível. Achatar a curva e preparar o sistema de saúde. Reabrir gradualmente nossa economia para evitar desastres maiores. Estejamos de espinha ereta, mente aberta e coração tranquilo da missão de encontrar empreendedores fora de série. Hein 2020, vamos fazer as pazes?

Léo Jianoti é CEO na CWB Capital & Investidor-Anjo na Curitiba Angels e facilitador do Bootcamp Investimento em Startups.

 

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