Eu adoro praia no inverno.
Não é figura de linguagem. É literal. Enquanto todo mundo espera o verão para ir ao litoral, eu vou em julho. A areia vazia. O mar mais bravo. O silêncio. Até a Tequila, minha vira-lata rabugenta de 7 anos, que normalmente não gosta de nada, adora a praia de inverno. É como se o lugar fosse mais ele mesmo quando ninguém está olhando.
Tem uma coisa que a praia no inverno ensina: os melhores lugares não estão vazios porque são ruins. Estão vazios porque a maioria das pessoas só sabe enxergar valor quando todo mundo já está lá.
Com IA, está acontecendo a mesma coisa. Só que ao contrário.
A maioria das pessoas está olhando para a IA e vendo contração. Empregos que somem. Habilidades que perdem valor. Profissões que encolhem. A conversa dominante é de medo: o que a IA vai tirar de mim?
Mas se você olha a história de qualquer tecnologia transformadora, o padrão é sempre o oposto. O jogo não encolhe. Ele expande. Em direções que ninguém previu no momento do pânico.
A outra metade da história
Ao longo dessa série, falei sobre o gap entre o que a IA pode fazer e o que as empresas de fato fazem com ela. Falei sobre como nossas ferramentas são todas de execução e nenhuma de pensamento. Falei sobre a porta de entrada que está fechando para quem está começando.
Tudo isso é real. Mas é só metade da história.
A outra metade é o que está nascendo.
Sociedades de IA
Duas semanas atrás, a Nature publicou uma matéria sobre algo que quase ninguém no Brasil está discutindo: sociedades de IA. Pesquisadores de Stanford criaram uma startup chamada Simile, levantaram US$ 100 milhões, e estão construindo simulações inteiras de comportamento humano usando agentes de IA.
Não é chatbot. Não é assistente. São sociedades simuladas. Milhares de agentes que interagem entre si, formam opiniões, seguem tendências, criam dinâmicas de grupo. A CVS Health já usa para testar reações de mercado. A Gallup usa para construir pesquisas. Uma plataforma chamada Moltbook (uma espécie de Reddit feito só para agentes de IA) já tem milhares de agentes ativos discutindo temas complexos entre si.
Lê de novo: milhares de agentes. Discutindo. Entre si.
Quando a fotografia surgiu em 1839, ninguém previu que ela geraria fotojornalismo, câmeras portáteis, Polaroid, smartphones e Instagram. Cada salto tecnológico criou indústrias inteiras que não existiam no vocabulário da geração anterior.
Sociedades de IA não estavam no vocabulário de ninguém um ano atrás. E já estão gerando aplicações reais.
Imagina um líder de RH testando uma nova política de benefícios em uma sociedade simulada de 500 agentes que representam o perfil dos funcionários, antes de implementar com gente de verdade. Imagina uma indústria testando como o mercado reagiria a um reposicionamento de marca sem gastar um centavo em pesquisa tradicional. Imagina um professor simulando como uma turma de 40 alunos com perfis diferentes reagiria a uma nova metodologia.
Isso não é ficção. Está acontecendo agora.
A pergunta de Peter Thiel
Peter Thiel tem uma pergunta que sempre me provocou: "Qual é a verdade importante sobre a qual quase ninguém concorda com você?"
A minha é essa: a maioria das pessoas está subestimando o tamanho do jogo que está se abrindo.
Não porque são burras. Mas porque é humanamente difícil enxergar expansão quando você está no meio do terremoto. Quando a fotografia surgiu, os pintores viram morte. Quando o streaming surgiu, a indústria fonográfica viu morte. Quando a IA generativa surgiu, metade do mercado viu morte.
Em todos os casos, o que veio depois foi maior do que o que existia antes.
Sua empresa quer entrar na água?
A How é o parceiro de empresas que decidiram não esperar o verão. Trabalhamos em sociedades de IA, agentes, sistemas multimodais e redesenho de modelos operacionais.
Falar com a How →Economia de expressão, não de repetição
A a16z escreveu que por dois séculos, o mundo operou na lógica de economia de escala. Produzir mais do mesmo, mais barato, para mais gente. Em 2026, essa lógica está começando a inverter. A IA permite o oposto: produzir algo único, específico, sob medida, mas com custo de escala. Economia de expressão, não de repetição.
Isso muda quem ganha o jogo.
No jogo antigo, ganhava quem executava mais rápido e mais barato. No novo, ganha quem vê o que os outros não veem. Quem redesenha as regras em vez de otimizar as antigas. Quem vai à praia no inverno enquanto todo mundo espera o verão.
Pisco na poça
O Pisco, meu golden retriever de 11 meses, me ensina isso todo dia. Ele vê uma poça d'água e pula. Não analisa a temperatura, não calcula o risco, não espera alguém ir primeiro. Pula. E descobre o que tem lá dentro pulando.
A maioria dos profissionais e empresas está na margem da poça. Analisando. Calculando. Esperando.
O jogo é infinito. Mas só para quem entra na água.